Crie uma previdencia privada você mesmo

Vocês devem ter visto a nova regra proposta pelo governo. Há um resumo nesta matéria de O Globo: http://oglobo.globo.com/economia/previdencia-e-trabalho/reforma-da-previdencia-entenda-proposta-em-21-pontos-19744743.

Por que eu estou falando isso? Bom, nota-se que aqui no Brasil, o INSS, com suas regras, ainda não é estável. Não é questão de falar mal, só estou mostrando os fatos. Desde que entramos no século 21, várias alterações nas regras da previdência foram propostas. Várias delas já estão em vigor. Nós não sabemos como isso vai se estabilizar. Se estabilizar de uma forma boa para os aposentados, ótimo para nós! O problema é se isso não acontecer. Imagina você aposentando e tendo que economizar algum dinheiro todo mês para passear, para comprar remédios, etc. Eu não quero isso.

Sinceramente, eu não acho que vai ser assim, mas ainda assim eu quero uma renda extra na minha aposentadoria sem ter que trabalhar. Sendo totalmente sincero: eu acho que eu mereço. Aliás, eu acho que todos que trabalham merecem. Raciocinem comigo: você acorda, arruma para ir ao trabalho, chega em casa no fim da tarde. De noite, você quer ver TV, ver seriado, ver filme, ir ao futebol, conversar com os amigos, sair com os amigos, sair com o(a) namorado(a)/noivo(a)/esposo(a), passar um tempo brincando com seu(s) filho(s), mas não dá para fazer tudo isso. Você tem que escolher o que fazer. Então, na minha opinião, é mais do que merecido que você não tenha que se privar de nada na aposentadoria para fazer as coisas que você quer. Eu acredito que, com o teto da aposentadoria - que não é novidade nesta nova proposta do governo -, nós vamos precisar de um complemento financeiro para diminuir o dependência do valor que vamos receber do governo. É aí que entra uma ideia de criar uma previdência para você mesmo.

Pode ser que você diga: "Já sei, lá vem o cara querer falar sobre previdência privada.". Se pensou isso, errou! Eu diria que vou falar sobre uma previdência autônoma, isto é, você mesmo cria e você mesmo gerencia. Vou mostrar também a grande vantagem dela em relação à previdência privada.

Antes de continuar, sugiro fortemente que você leia este post que escrevi sobre o desafio P200/30 e suas variações: http://guiamonetario.blogspot.com/2016/11/o-desafio-p20030-e-suas-variacoes.html. Ele tem tudo a ver com a situação.

Tendo lido, acredito que tenha ficado claro que a ideia não é investir exatamente 200 reais, sem reajuste, durante 30 anos, em uma caderneta de poupança. A ideia é justamente escolher um valor realista, que seja reajustado todo ano para, pelo menos, acompanhar a inflação, e que seja escolhido um investimento com retorno, no mínimo, razoável e durante 30 anos. Obviamente, este tempo pode variar. Você pode escolher tanto 20 anos quanto 35 anos. Isso tudo é escolha sua. Outro ponto que quero deixar claro, antes que se prossiga com a leitura, é que não estou sugerindo para deixar de contribuir para o INSS, e começar a fazer a sua própria previdência. Contribuir para o INSS dá, às pessoas, muitos benefícios, que podem ser vistos aqui: http://socialprevidencia.net/inss-vantagens-do-contribuinte.html. Sugiro contribuir e, paralelamente, criar sua própria previdência.

O que eu quero, com este post, é justamente mostrar uma característica de investimento que sofra incidência de imposto de renda. Eu não posso falar para o leitor o tempo que ele vai poupar, e nem o valor, pois isso é muito pessoal. Porém, eu posso, baseado nas minhas experiências e buscas relacionadas a investimento, sugerir algo.

Se você vai escolher um investimento que não seja isento de imposto de renda, então escolha um que demore mais tempo para "vencer". Por que isso? Vou propor duas situações: a) você vai investir R$ 1.000,00 durante 4 anos com um rendimento de 1% ao mês, e que tenha incidência de imposto de renda; e b) você vai investir R$ 1.000,00 durante 2 anos em um rendimento de 1% ao mês, e que tenha incidência de imposto de renda; retirar este valor e reinvestir, por mais 2 anos, todo o valor recebido neste mesmo investimento de 1% ao mês, que tenha incidência de imposto de renda. Pergunto: no final de 4 anos, em qual das duas situações, você vai ter um retorno maior?

Pode ser que você responda: "bom, acredito que as duas situações me retornem o mesmo valor.". Infelizmente, resposta errada. A situação "a" retorna um valor, em torno, de R$ 1.520,00, enquanto a situação "b" retorna um valor, em torno, de R$ 1.511,00. Por que existe essa diferença? O que acontece é que os juros incidem sobre o rendimento total que você tem, e este é a soma do montante inicial com o seu rendimento bruto, isto é, sem o desconto do imposto de renda. Quanto mais tempo você espera para retirar o valor, maior é o rendimento, pois os juros estão incidindo em cima do valor que é do governo, isto é, do valor que não vai ser seu no futuro, que é o imposto de renda. Você, basicamente, está fazendo dinheiro em cima do dinheiro que vai pertencer ao governo no futuro.

Eu sei que essa ideia pode ser complicada, mas vou usar o mesmo exemplo para tentar melhorar. Vamos considerar a situação anterior, e vamos para o final do 2º ano, que é o tempo quando será retirado o dinheiro pela situação "b". Considerando a situação "b", ao retirar o dinheiro, a pessoa possui em torno de R$ 1.229,00, enquanto, na situação "a", o investidor possui em torno de R$ 1.269,00. Você percebe que, no início do terceiro ano, a situação "a" tem um montante maior do que a situação "b"? Isso faz com que os rendimentos sejam maiores em cima da situação "a". Por isso, no final, ela vai terminar com um valor maior.

Alguém pode observar o seguinte: "os rendimentos podem ser maiores, mas o imposto de renda, no final, vai ser maior também.". Sim, serão, porém deve-se lembrar que haverá outra incidência de imposto de renda na situação "b" também. Intuititavamente é difícil de perceber que a situação "a" é melhor, mas sugiro que fique como dever de casa fazer as contas e perceber que a situação "a" é melhor do que a "b". Só para mostrar como a conta será feita: na situação "a", você tem o valor de R$ 1.000,00 e terá o rendimento de 48 meses com 1% ao ano. Após isso, serão descontados 15% em cima do seu "lucro", e não do valor total. Isso tem que ficar claro aqui: IR incide sobre o seu lucro, ou seja, se você começa com R$ 1.000,00, e termina com R$ 1.500,00, então o imposto de renda incide sobre R$ 500,00 somente. Agora, com relação à situação "b", você tem o valor de R$ 1.000,00 rendidos em cima de 24 meses, a 1% mensal. Serão descontados 15% em cima dos rendimentos. Este valor será investidos por mais 24 meses a 1%. No final, retire 15% dos rendimentos novamente.

Alguém pode perguntar: "mas, por que alguém retiraria o dinheiro para reinvestir no mesmo lugar?". Vários investimentos têm uma data de vencimento. Chegando nela, você é "obrigado" a receber o seu dinheiro. Então este prazo de 2 anos seria, por exemplo, o "vencimento" do investimento. Então este resgate pode ser "compulsório". O CDB costuma ter um vencimento de 3 a 4 anos. As debêntures tem prazos bem variáveis. Os títulos públicos pode ter vencimento maiores do que 15 anos, então eles são fortemente indicados para este intuito.

Qual título público comprar? Esta é uma questão bem pessoal. Lembre sempre que a ideia do título público é resgatar no vencimento. Fora dele, você pode até perder dinheiro, mas se deixar até o vencimento, você não perde. Se você consegue prever que a taxa SELIC vai crescer ou até mesmo permanecer alta por um longo prazo, então o título LFT é muito atrativo. Porém, se você quer ter certeza de que o seu dinheiro ganhará poder de compra, então o título NTNB-Principal, atualmente chamado de IPCA+, é o mais indicado.

Caso seus investimentos não tenham incidência de imposto de renda, casos que ocorrem quando a opção é LCI ou LCA, por exemplo, então este problema não ocorre.

E qual é a vantagem em relação à previdência privada? É que o montante final é seu, e não existe taxas de administração, nem de carregamento, fatos que acontecem nas previdências privadas.

Chegado o momento tão esperado, após anos de disciplina e investimentos, a sugestão é deixar o montante rendendo juros e usar esse rendimento como um "salário" para você. Não é tão simples chegar lá: você vai poupar um dinheiro que você já poderia desfrutar hoje; você precisa de uma disciplina muito grande, e também de uma paciência incomparável - imagine poupar durante 30 anos. Eu tenho certeza de que no final, vai ter valido a pena ter feito isso. E o que fazer com o montante acumulado? Minha sugestão? Coloque no seu testamento que uma boa parte será doada para algumas instituições de caridade. O restante, você deixa para os seus herdeiros. É só a minha sugestão.

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